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Monitoramento da salinização e da abundância do camarão no Estuário da Lagoa dos Patos
- Financiamento: Consórcio CBPO-Odebrecht, Pedrasul, Ivaí
- Apoio: MRS- Estudos Ambientais, Secretaria dos Portos
- Objetivo: Estudar a Circulação e Salinização do Estuário da Lagoa dos Patos e os Potenciais Impactos da Obra de Prolongamento dos Molhes da Barra da Lagoa
- Pesquisador Responsável: Ivan Soares e Fernando D'Incao
- Status: Em andamento
O Complexo Portuário da cidade do Rio Grande localiza-se no extremo sul do Brasil, na porção sul da Lagoa dos Patos, muito próximo da Barra da Lagoa, por onde esta se liga com o oceano, e por onde ocorre o escoamento de toda a produção do estado do Rio Grande do Sul que é exportada por via maritima. Faz parte desse complexo o Superporto de Rio Grande, um dos maiores Portos Marítimos da America Latina, composto pelos Terminais de Petróleo, Grãos, Adubos e Containeres, e mais recentemente por 2 estaleiros. Uma das caracteristicas positivas desse porto é a grande disponibilidade de espaço para construção de novos terminais e as dimensões avantajadas do seu canal, que permitem a navegação de navios e estruturas de grande porte. Atualmente o canal tem 12 metros de profundidade na maioria de sua extensão. No entanto, em função do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) esse canal será dragado para ficar com 18 metros de profundidade para assim poder receber navios de maior calado.
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A estabilidade do canal de navegação, contra processos de erosão e contra correntes tranversas que dificultam a navegabilidade, é garantida pelos Molhes da Barra: duas fileiras de enrocamento que se estendem 4 km mar adentro nas duas margens do canal. Os molhes foram construídos no início do século passado e vêm garantindo até os dias de hoje o acesso ao porto do Rio Grande. Para garantir que o novo canal de 18 metros se mantenha contra as intemperies e ação de ondas e correntes, está previsto um prolongamento desses molhes.
Estudos de Impacto Ambiental (EIAs) e Relatório de Impacto Ambiental (RIMAs) foram elaborados para ambas as obras: aprofundamento do canal e prolongamento dos molhes. Esses estudos foram conduzidos pela empresa MRS-Estudos Ambientais e pela FURG (Fundação Universidade Federal do Rio Grande), contratadas através de licitação pela Secretaria dos Portos. A obra de prolongamento já teve licença emitida pelo orgão ambiental (IBAMA) e encontra-se em pleno andamento pelo consórcio CBPO-Odebrecht, Pedra Sul, Ivaí. Como medida compensatória para os possíveis impactos que essa obra venha a causar ao meio ambiente, foi proposto pelo orgão ambiental que o Consorcio financiasse, dentre outros, um programa de monitoramento ambiental do estuário da Lagoa durante o período de execução da obra. Esse programa tem como objetivo monitorar a circulaçao e salinização do estuário e está sendo executado pela Associação ATLANTIS.
Um dos principais objetivos do Programa de Monitoramento é determinar se a obra de prolongamento dos molhes terá algum impacto na entrada de água salgada no estuário e, se sim, causar algum dano para as safras dos camarões que crescem no estuário da Lagoa. O camarão rosa é oceânico, isto é, vive sua fase adulta no oceano, em todo o litoral leste, sudeste e sul, e desova no oceano. Por volta de outubro ou novembro (final da primavera) as larvas desse camarão entram no estuário da Lagoa dos Patos, onde crescem até o estágio de juvenis, e depois voltam para o oceano no final do verão ou inicio do outono. A entrada das larvas no estuário da lagoa depende de vários fatores, mas principalmente da salinização do estuário. Em anos de muita chuva, quando a vazão dos rios é muito alta, a entrada de água salgada no estuário é prejudicada, o mesmo acontecendo com a entrada das larvas. Obviamente o vento tem um papel importante nesse contexto, pois o vento também controla a entrada de água salgada no estuário. Dessa forma, existe uma variação interanual da safra de camarão, que é causada por variações nos agentes físicos que controlam a salinização do estuário (vento, maré e vazão dos rios). O principal objetivo do Programa de Monitoramento é determinar se a obra de prolongamento vai causar alguma variação significativa na entrada de água salgada no estuário, ou se, as variações causadas pela obra serão significantes perantes as variações naturais que já existem.
O Programa de Monitoramento da salinização do Estuário da Lagoa envolve uma série de coletas ambientais e o desenvolvimento de um modelo matemático que simula a circulação e a salinização do estuário. As simulaçãoes matemáticas serão feitas em dois cenários: um cenário sem a obra (como a Barra se encontra atualmente) e outro cenário no qual a entrada da Barra é modificada de modo a incorporar as alterações previstas na obra de prolongamento dos molhes. Os resultados das duas simulações são comparados em termos de variações da salinidade em áreas de crescimento do camarão, como o Saco do Rincão, o Saco do Arraial, o Saco da Mangueira e o Saco do Mendanha. Essa áreas são áreas rasas do estuário, onde crescem gramíneas em abundância e onde as larvas do camarão encontram seu alimento. Se as obras vierem a causar uma diminuição significativa da salinidade nessas áreas, o crescimento das larvas (e consequentemente a safra de camarões juvenis) pode vir a ser comprometida. Faz parte dos objetivos das simulações com o modelo matemático demonstrar se essas alterações de salinidade serão comprometedoras ou não.
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